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Doppler Transcraniano: ultrassonografia pode ajudar a identificar causas de AVC

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a segunda causa de morte no Brasil e a primeira causa de incapacidade no mundo. Uma a cada quatro pessoas poderá sofrer um AVC ao longo da vida. Dados da Associação Americana de AVC mostram que 1 a cada 4 sobrevivente de AVC ou infarto relacionados a coágulos, terá outro.

Descobrir e tratar a causa deste evento é fundamental para que o paciente consiga reduzir as chances de um segundo evento e o Doppler Transcraniano é um dos exames realizados para identificar a etiologia do AVC.

A neurologista, Rebeca Teixeira, especialista em doença cerebrovascular (AVC), revela que este exame permite avaliar o fluxo sanguíneo cerebral do paciente auxiliando no diagnóstico de algumas causas de AVC como microembolias, estenoses intracranianas, variações anatômicas, uso de circulação colateral, pesquisa de forame oval patente, entre outros achados.

“Ele é um exame de ultrassonografia que avalia a circulação intracraniana em tempo real, de baixo custo, prático, não invasivo que pode ser realizado em consulta ambulatorial ou em beira de leito de paciente internado, sem ser necessário seu deslocamento” pontua.

Segundo a médica, que faz parte do corpo técnico da neurointensiva-UTI neurológica do Hospital Memorial Arthur Ramos, o Doppler Transcraniano também pode ser utilizado para prevenir um primeiro AVC nos pacientes com anemia falciforme. “Ele é usado como exame de triagem para avaliar o risco de um primeiro evento cerebrovascular nestes pacientes, a partir dos valores das velocidades de fluxo é possível predizer o risco e assim tomar medidas junto aos pediatras e hematologistas para evitar esse AVC ainda na infância”, comentou.

Rebeca revela que 8 a 10% das crianças com anemia falciforme vão apresentar um AVC, ainda na primeira década de vida. A rotina, estabelecida pelo estudo STOP, é a realização do Doppler transcraniano anualmente em crianças com resultados normais até os 14 anos de idade, e a cada 03 meses ou até antes em caso de valores anormais ao exame.

Enxaqueca

Cerca de 20 a 30% dos pacientes com enxaqueca apresentam aura, que é definida como sintomas neurológicos que surgem antes ou junto a dor de cabeça e que duram de 5 a 60 min. “Destes pacientes, metade deles apresentam forame oval patente (shunt intracraniano) – que é uma abertura no coração – e que pode estar relacionado com a sua causa”, falou.

De acordo com ela, o doppler transcraniano com pesquisa de shunt intracraniano pode auxiliar no tratamento dos pacientes com enxaqueca com aura que não respondam ao tratamento medicamentoso convencional, principalmente aqueles com aura atípicas ou mais prolongadas.

O AVC tem tratamento e parte dele consiste em identificar e tratar a causa da doença.

/Assessoria

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